domingo, 19 de junho de 2022

Justiça decreta prisão de terceiro suspeito de envolvimento na morte de Bruno e Dom Phillips

 


A PF (Polícia Federal) do Amazonas informou que foi expedido um novo mandado de prisão, desta vez contra Jeferson da Silva Lima, conhecido como “Pelado da Dinha”, na investigação sobre o assassinato do jornalista britânico Dom Philips e do indigenista Bruno Pereira. A decisão foi expedida pela Justiça Estadual de Atalaia do Norte, que investiga o caso.

Ele é considerado foragido. Em comunicado emitido nesta noite, a PF pede que se a população da região entre em contato com as autoridades imediatamente se tiver informações que possam ajudar a localizá-lo. “A PF e a PC (Polícia Civil) continuam envidando esforços na localização e prisão do elemento foragido”, diz o texto.

Na tarde desta sexta-feira, a PF já havia divulgado nota confirmando que “remanescentes” do jornalista Dom Phillips, desaparecido desde o último dia 5 no Vale do Javari, na Amazônia, foram identificados em material recolhido em local que foi apontado por Amarildo da Costa de Oliveira. Conhecido como Pelado, Amarildo confessou ter matado Dom e o indigenista Bruno Pereira.

Segundo a PF, a confirmação veio a partir de um exame de “odontologia legal combinado com a antropologia forense”. Isso significa que os peritos conseguiram comparar os restos mortais com laudos da arcada dentária do inglês, enviados pela família dele. “Se o prontuário for de qualidade e recente, isso é feito de forma bem eficiente e rápida”, afirmou o presidente da Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF), Marcos Camargo.

Ainda falta confirmar se os restos mortais do segundo corpo são compatíveis com o de Bruno Pereira. Conforme fontes que acompanham as investigações, após serem mortos, os dois foram queimados antes de serem enterrados – portanto, os “remanescentes humanos”, como definiu o ministro da Justiça, Anderson Torres, não estão em bom estado de conservação. A perícia está sendo feita no Instituto Nacional de Criminalística da corporação, em Brasília.

Já a “antropologia forense” analisa características do corpo para identificar a vítima, como marcas de nascença, cicatrizes, tatuagens e a estrutura óssea. A confirmação definitiva só deve vir, no entanto, com o exame de DNA, que costuma demorar mais e deve ser concluído na próxima semana.

A PF acrescentou no texto que “os trabalhos para completa identificação dos remanescentes, para a compreensão das causas das mortes, assim como para indicação da dinâmica do crime e ocultação dos corpos” seguem em curso.

Na quarta-feira, a juíza Jacinta Silva dos Santos, titular da Comarca de Atalaia do Norte, município do interior do Amazonas, determinou o cumprimento da prisão temporária, por 30 dias, do investigado Oseney da Costa de Oliveira, segundo suspeito acusado de envolvimento no caso de desaparecimento do indigenista e do jornalista inglês. Oseney havia sido preso na terça-feira (14) pela Polícia Civil.

A Polícia Federal também informou nesta sexta-feira (17) que a apuração sobre os assassinatos não trazem indícios de ter havido um mandante ou organização criminosa por trás das mortes.

Em nota divulgada à imprensa, a PF, que coordena o comitê de crise para investigação do caso, informou também que as diligências continuam e que, apesar de não haver mandante, outras pessoas devem estar envolvidas no crime e novas prisões podem ocorrer nos próximos dias.

Também Em nota, a União dos Povos do Javari (Unijava) disse que discorda da conclusão à qual chegou a PF. Segundo a entidade, foram repassadas informações sobre organizações criminosas que estariam atuando na região e que poderiam ser as responsáveis pelas mortes do indigenista e do jornalista. No documento, a União solicita que as investigações continuem e nenhuma hipótese seja descartada. “Exigimos a continuidade e o aprofundamento das investigações. Exigimos que a PF considere as informações qualificadas que já repassamos a eles em nossos ofícios. Só assim teremos a oportunidade de viver em paz novamente em nosso território, o Vale do Javari”. As informações são do jornal O Globo e da Agência Brasil.

O Sul

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