domingo, 19 de junho de 2022

Indicado para o comando da Petrobras ainda tem documentação pendente para poder assumir o cargo

 

Caio Paes de Andrade diz que “todos os documentos e informações já foram entregues”. (Foto: Reprodução)

O indicado para o comando da Petrobras, Caio Paes de Andrade, foi informado pela empresa na última quarta (15) de que há documentação pendente na avaliação dele para o cargo de presidente da companhia, segundo informações da Coluna do Estadão, do jornal O Estado de S. Paulo. A etapa é preliminar e é feita pelas áreas de RH e conformidade. Só depois disso, os currículos dele e de outros sete indicados pelo governo para a sucessão no Conselho de Administração serão encaminhados ao Comitê de Pessoas, instituto criado na Lei das Estatais e cujas funções foram detalhadas em decreto assinado pelo próprio Jair Bolsonaro em abril. A avaliação do processo deles é considerada inicial. Assim, a queda da cabeça da Petrobras, desejada pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) e por seus aliados, como o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), não é imediata.

A interlocutores, José Mauro Coelho, atual presidente da companhia, demissionário desde 23 de maio, tem dito que a insistência do governo no sucessor tem colaborado para a sua permanência. Há dúvidas sobre se o currículo de Andrade, que não tem experiência na área de petróleo, passa nas exigências da Lei das Estatais.

Procurado, Andrade não negou a comunicação, mas diz que “todos os documentos e informações já foram entregues”. A Petrobras não se manifestou.

A reformulação da Lei das Estatais chegou a ser tratada por Lira em reuniões sobre os reajustes da Petrobras, mas não se sabe se surtiria o efeito desejado: baixar os preços antes da eleição. De toda forma, o clima é adverso para a Petrobras. Relator do projeto que reduz o ICMS de combustíveis, Elmar Nascimento (União-BA) diz que a empresa sentirá “o peso da política”.

Críticas

Após a Petrobras anunciar um novo reajuste nos preços da gasolina e do diesel, que entrou em vigor neste sábado (18), o presidente Jair Bolsonaro (PL) fez duras críticas à companhia. “O governo federal como acionista é contra qualquer reajuste nos combustíveis, não só pelo exagerado lucro da Petrobras em plena crise mundial, bem como pelo interesse público previsto na Lei das Estatais”, postou o presidente no Twitter na sexta-feira (17).

Em seguida, ele citou a possibilidade de uma greve de caminhoneiros, em decorrência do preço dos combustíveis. “A Petrobras pode mergulhar o Brasil num caos. Seus presidentes, diretores e conselheiros bem sabem do que aconteceu com a greve dos caminhoneiros em 2018, e as consequências nefastas para a economia do Brasil e a vida do nosso povo”, escreveu.

Também na sexta-feira, Bolsonaro afirmou que pretende propor ao presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), a criação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar a diretoria e o conselho da Petrobras.

“Conversei agora há pouco, há poucos minutos, com Arthur Lira. Ele está neste momento se reunindo com líderes partidários. E a ideia nossa é propor uma CPI para investigarmos o presidente da Petrobras, seus diretores e também os seus conselhos administrativos e fiscal”, disse o presidente, durante uma entrevista ao programa Meio-Dia RN, transmitida ao vivo em suas redes sociais. “Nós queremos saber se tem algo errado nessa conduta deles. Porque é inconcebível se conceder um reajuste com o combustível lá em cima e com os lucros exorbitantes que a Petrobras está tendo.”

Para o presidente, a cúpula da Petrobras traiu o povo brasileiro, e o lucro da estatal é uma “coisa que ninguém consegue entender”. “Ela lucra seis vezes mais do que a média das petrolíferas do mundo. As petroleiras fora do Brasil reduziram sua margem de lucro, continuam tendo lucro, para exatamente atender os anseios da sua população no momento de crise, porque isso tudo é fruto de uma guerra longe do Brasil”, disse. “A Petrobras só no primeiro trimestre deste ano lucrou R$ 44 bilhões e você tem como reduzir essa margem de lucro, porque está previsto na Lei das Estatais que ela tem que ter um fim social.”

O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, também criticou o reajuste anunciado na sexta-feira e pediu a renúncia imediata do presidente da Petrobras, José Mauro Ferreira Coelho.

“O presidente da Petrobras tem que renunciar imediatamente”, tuitou Lira. “Ele só representa a si mesmo e o que faz deixará um legado de destruição para a empresa, para o país e para o povo. Saia!!!”, declarou. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo e da Agência Brasil.

O Sul

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