terça-feira, 12 de outubro de 2021

Técnicos da Ufrgs iniciam avaliação do "Esqueletão" ao longo desta semana

 A partir do laudo, Prefeitura de Porto Alegre irá decidir sobre futuro do prédio inacabado, localizado no Centro Histórico da cidade


O prédio XV de Novembro, também chamado de “Esqueletão”, no Centro Histórico de Porto Alegre, começará a ser vistoriado ao longo desta semana por engenheiros do Laboratório de Ensaios e Modelos Estruturais (Leme) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs). O trabalho das equipes terá duração de três a quatro meses. Segundo a Secretaria Municipal de Planejamento e Assuntos Estratégicos, com o laudo técnico feita pela equipe da universidade em mãos, será decidido se o "Esqueletão" será demolido ou não. 

O estudo vai oferecer uma conclusão definitiva sobre as condições estruturais da edificação. Na manhã desta segunda-feira, duas viaturas da Guarda Municipal estavam na rua José Montaury com a rua Marechal Floriano Peixoto onde realizavam o monitoramento do edifício, inacabado desde o final da década de 1950.

A desocupação total do prédio XV de Novembro foi realizado no dia 26 de setembro. A maioria dos moradores e dos comerciantes, que ainda permaneciam no local, deixaram o prédio voluntariamente na noite do dia 25. Equipes do Departamento Municipal de Limpeza e Urbana (DMLU) já realizaram a limpeza de onde foram retirados mais de 50 toneladas de materiais. 

Na época da desocupação das famílias em setembro, o secretário Municipal de Planejamento e Assuntos Estratégicos, Cezar Schirmer, afirmou que o laudo também é importante para se ter a real dimensão das condições do prédio e, assim, "tomar a melhor decisão para a cidade de Porto Alegre". Schirmer destacou que assim como a revitalização do Mercado Público e a substituição do Muro da Mauá, o Município vai encontrar uma solução definitiva para o "Esqueletão" que é considerado emblemático dentro do contexto Centro+, programa de revitalização do Centro Histórico. 

As famílias que estavam no prédio XV de Novembro foram encaminhadas a vagas em pousadas, até que fossem cadastradas para recebimento do auxílio moradia. Dos 19 pavimentos do "Esqueletão", quatro eram ocupados. No térreo funcionava uma galeria comercial. O primeiro, segundo e terceiros andares eram utilizados para moradia, na maioria dos casos, em condições muito precárias, com acúmulo de lixo e instalações elétricas inadequadas.

De acordo com laudo assinado por engenheiros da prefeitura em 2018, o prédio oferecia risco de grau crítico aos ocupantes. A desocupação total foi determinada pela 10ª Vara da Fazenda Pública a pedido do Município, que ajuizou uma ação civil pública em 2003 buscando uma solução jurídica para o problema. A partir de vistoria realizada por engenheiros da prefeitura em 2018, foi elaborado um laudo de nível 1, que atestou grau de risco crítico do prédio, sobretudo ao que diz respeito a incêndio.

O laudo de nível 1, no entanto, não é suficiente para definir as condições da estrutura. Somente após a análise que será feita pelos técnicos da Ufrgs, o Município poderá decidir sobre o destino do prédio, declarado de utilidade pública para fins de desapropriação pelo decreto 20.395 de 2019.


Correio do Povo

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