quarta-feira, 22 de setembro de 2021

Ministro da Saúde é diagnosticado com covid e ficará em isolamento em Nova York

 


O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, que acompanha o presidente Jair Bolsonaro em viagem aos Estados Unidos, foi diagnosticado com covid-19. Por causa do teste positivo do ministro, a diplomacia brasileira decidiu suspender a presença de diplomatas nas reuniões previstas para ocorrer nesta quarta-feira (22), na Assembleia-Geral da Nações Unidas. É o segundo caso de um infectado por coronavírus na comitiva do País.

Pelo Twitter, Queiroga confirmou o teste positivo e disse estar seguindo “todos os protocolos de segurança sanitária”. O ministro da Saúde não embarcou de volta a Brasília com Bolsonaro por causa do diagnóstico de covid. Ele ficou em Nova York, onde deverá cumprir uma quarentena de 14 dias. Médico, Queiroga se vacinou contra covid ainda em janeiro.

Queiroga esteve com Bolsonaro no plenário da Organização das Nações Unidas nesta terça-feira (21), o que deve despertar reação internacional para rastrear os contatos do ministro e identificar possíveis focos de transmissão. Em uma foto postada em suas redes sociais, o ministro aparece no meio do local onde mais cedo discursaram os principais líderes mundiais.

A sequência de encontros de Queiroga na ONU deve despertar uma linha de rastreamento de contágio que pode atingir o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, e o presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa.

Além do evento desta terça, Queiroga participou do encontro de Bolsonaro com o primeiro-ministro do Reino Unido na segunda-feira (20). O ministro usou máscara na reunião. Bolsonaro e Johnson, porém, estavam sem a proteção. Na terça, Johnson se encontrou com o presidente Biden, na Casa Branca. O britânico e o americano estavam usando máscaras.

Já o presidente português está hospedado em Nova York no mesmo hotel onde a delegação brasileira esteve e onde Queiroga continuará até o fim da quarentena.

Ministros com quem Queiroga conviveu de maneira próxima nos últimos dias, como o chanceler brasileiro, Carlos França, e o titular do Meio Ambiente, Joaquim Leite, também devem ser monitorados. Os dois tiveram reuniões nesta terça com o alto escalão do governo Biden. França se reuniu com o secretário de Estado, Antony Blinken, e Leite esteve com o enviado especial para o clima, John Kerry.

Queiroga acompanhou Bolsonaro na maior parte dos eventos em NY, incluindo em uma visita ao memorial às vítimas do 11 de Setembro que aconteceu por volta das 15h30 desta terça, no horário local. Queiroga já estava infectado. Bolsonaro, por sua vez, saiu sem máscara do hotel onde está hospedado e abraçou e tirou fotos com apoiadores por mais de 20 minutos. O Palácio do Planalto informou que outros integrantes da comitiva fizeram teste de covid-19 e tiveram resultado negativo.

Gesto obsceno

Durante a viagem a Nova York, onde Bolsonaro discursou na abertura da cúpula de países da ONU, Queiroga se envolveu em polêmica ao reagir com gesto obsceno a manifestantes. Um grupo pequeno protestava contra presidente na calçada em frente à residência da missão nacional junto à ONU, onde a comitiva brasileira foi recepcionada para um jantar na noite de segunda. Na rua, um caminhão com um telão exibia frases em inglês com críticas ao presidente, como “Bolsonaro is burning the Amazon” (Bolsonaro está queimando a Amazônia).

Ao deixar o local em uma van, ainda sob os gritos dos manifestantes, o ministro de Saúde levantou de seu assento e mostrou, com as duas mãos, os dedos do meio aos opositores do governo Bolsonaro, que também faziam gestos obscenos.

No discurso desta terça, Bolsonaro defendeu o chamado “tratamento precoce” contra covid-19 — em referência a medicamentos comprovadamente ineficazes contra a doença, como hidroxicloroquina e ivermectina — e se colocou contrário a “passaportes de vacinação”.

Na cidade americana, Queiroga também foi comer pizza ao ar livre junto a Bolsonaro; o presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães; o ministro do Turismo, Gilson Machado e o ministro Luiz Eduardo Ramos (Secretaria-Geral da Presidência). O presidente do Brasil sofreu restrições para circular em Nova York, que exige comprovante de vacinação para pessoas frequentarem locais fechados. Bolsonaro tem dito que não se vacinou.

Em transmissão ao vivo na semana passada, Queiroga insistiu com o presidente sobre a importância da imunização. “O senhor precisa se vacinar”, afirmou. “O presidente defende a autonomia do médico. Eu não sou o médico dele, mas eu defendo que o presidente deve tomar a decisão na hora certa. Ele diz que e imorrível. Não sei se é invacinável. Mas aí vou falar com a dona Michelle (Bolsonaro, primeira-dama).”

Na mesma “live”, Queiroga afirmou que partiu de Bolsonaro a orientação para rever a vacinação de adolescentes. A pasta recomendou a interrupção da aplicação de doses em pessoas de 12 a 17 anos sem comorbidades, como diabete, problema cardíaco ou deficiência física, seguindo caminho contrário ao de órgãos especializados no tema no Brasil e no mundo.

O Sul

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