quarta-feira, 22 de setembro de 2021

DEM e PSL avançam em fusão para criar maior partido do País; entenda o que as siglas buscam com a união e quais os entraves

 


Depois de meses de negociações, PSL e DEM estão prestes a dar os últimos passos rumo à fusão que dará origem ao maior partido do País. A Executiva dos Democratas se reuniu nesta terça-feira (21) em Brasília para deliberar sobre a proposta de união entre as legendas e aprovou por unanimidade a fusão com o PSL. A decisão abre caminho para que a sigla realize uma convenção nacional para sacramentar a união.

A cúpula do PSL, comandado pelo deputado federal Luciano Bivar (PE), também será convocada esta semana para se debruçar sobre o tema. Mas, como o movimento em busca da junção de forças partiu da sigla, seus dirigentes não devem criar entraves — o que motiva as duas legendas é um jogo de ganha-ganha para ambos os lados.

O PSL caminha rachado desde que o presidente Jair Bolsonaro rompeu com Bivar e se desfiliou do partido. De lá para cá, fieis integrantes da base aliada e inimigos do Palácio do Planalto convivem às turras dentro do mesmo espaço. Assim que o chefe do Executivo anunciar para qual legenda irá, seus apoiadores, como as deputadas Carla Zambelli (SP) e Bia Kicis (DF), por exemplo, vão acompanhá-lo.

A migração em massa levará nomes e votos. Quem sair, porém, deixará para trás um portentoso caixa — somados, os fundos eleitorais das duas legendas chegam a R$ 320 milhões. E isso atrai o DEM, que recebeu R$ 120 milhões em 2020.

Um dos partidos mais tradicionais do cenário político pós-redemocratização, o DEM enxerga na fusão o fôlego financeiro de que precisa para lutar contra o processo de esvaziamento recente. Presidida pelo ex-prefeito de Salvador ACM Neto, a sigla tem nomes de expressão nacional e com perspectiva de vitórias importantes em 2022. O próprio Neto é um candidato competitivo na corrida pelo governo da Bahia, assim como o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, que concorrerá à reeleição.

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (MG), vem sendo cotado para vestir o figurino da terceira via e se candidatar à Presidência da República, embora ele também venha negociando com o PSD. O ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, outro quadro do DEM, seria o plano B.

Do lado do PSL, o apresentador José Luiz Datena, que se filiou recentemente, já deixa claro que ambiciona o mesmo espaço de destaque. Ele também tem convite do PDT e conversas marcadas com os ex-governadores de São Paulo Geraldo Alckmin (ainda no PSDB, mas costurando a saída) e Márcio França (PSB).

“Uma super fusão implica numa série de detalhes. A mim, foi dito pelos dirigentes do PSL que continua o compromisso de eu disputar a Presidência da República. E que seria apresentado ao DEM como candidato da fusão. Aí aparecem outros nomes como Mandetta e Pacheco. Eu aceitaria qualquer um dos dois como vice. Mas, se me convidarem para ser vice do Mandetta ou do Pacheco, vou dizer ‘não'”, adiantou Datena.

Essa é apenas uma das arestas que o comando da futura legenda, que teria Bivar como presidente e Neto como vice, teria de aparar. Outras se multiplicam pelos Estados, onde os cenários domésticos por vezes inviabilizam a presença de integrantes de DEM e PSL no mesmo palanque.

“A sintonia está muito boa, e estamos avançando muito bem rumo à fusão. As questões regionais estão sendo resolvidas”, minimizou o vice-presidente nacional do PSL, Antônio Rueda.

O Sul

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