sábado, 25 de setembro de 2021

Arrecadação do governo federal tem alta de mais de 7% e bate recorde em agosto

 


Impulsionada pelo aumento no pagamento de tributos por empresas exportadoras, a arrecadação de impostos e de contribuições federais somou R$ 146,463 bilhões em agosto e bateu o recorde histórico para o mês.

O resultado representa um aumento real (descontada a inflação) de 7,25% na comparação com o mesmo mês de 2020, informou a Receita Federal. Em relação a julho deste ano, houve queda real de 15,22% no recolhimento de impostos. Isso ocorreu por questões sazonais, já que, naquele mês, houve o pagamento de tributos trimestrais que não são recolhidos em agosto.

No acumulado dos oito primeiros meses do ano, a arrecadação federal chegou a R$ 1,199 trilhão, também um recorde histórico para o período. O montante ainda representa um avanço real de 23,53% na comparação com o mesmo período do ano passado.

O secretário especial da Receita Federal, José Tostes, afirmou que o aumento na arrecadação apresentado até agosto é estrutural e reflete a melhora da economia, depois do fim das medidas de isolamento social. Ele ressaltou que o recolhimento de tributos vem em alta desde agosto do ano passado.

“De oito meses deste ano, em seis a arrecadação foi recorde. As evidências de recuperação da economia são sólidas. O crescimento da arrecadação é sustentável e tem componente estrutural”, afirmou.

O secretário destacou ainda que o desempenho de agosto foi alcançado principalmente por causa do aumento no pagamento do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), da contribuição para o PIS/Pasep e de contribuições previdenciárias.

“O resultado de janeiro a agosto poderia ser maior, não fossem as compensações, que cresceram 30% no período”, completou Tostes.

O analista de Investimentos da Terra Investimento, Régis Sarmiento Chinchila, explica que o bom desempenho da arrecadação é, sim, impulsionado pela recuperação e pelo crescimento da atividade econômica depois de um 2020 comprometido pela pandemia, mas também é influenciado pela inflação em alta. “Ao aumentar o preço dos produtos, a inflação, consequentemente, acaba impactando no valor arrecadado de impostos sobre eles”, completou Chinchila.

Apesar de a alta da arrecadação em agosto, na comparação anual, ter vindo menor do que a registrada em julho (a receita chegou a R$ 171,3 bilhões, ou seja, 35,5% a mais do que a de julho de 2020), o chefe do Centro de Estudos Tributários da Receita Federal, Claudemir Malaquias, afirmou que isso não significa uma desaceleração.

Malaquias explicou que, em julho do ano passado, a base de comparação era menor porque houve o diferimento (adiamento) de tributos por conta da pandemia, além dos próprios efeitos econômicos trazidos pelo novo coronavírus, que fizeram, na época, a arrecadação arrefecer.

“Estamos no mesmo ritmo de crescimento da arrecadação, não consideramos que houve desaceleração”, afirmou.

Atípicos

O levantamento da Receita Federal aponta que, em agosto, houve pagamentos atípicos de R$ 29 bilhões. De acordo com o órgão, isso se deveu principalmente aos pagamentos feitos por empresas exportadoras que não haviam sido registrados no ano passado, um efeito, justamente, da alta do dólar e do preço das commodities (produtos básicos, como alimentos, minério de ferro e petróleo, cotados em dólar). Com isso, sobe a base de cálculo do IRPJ e da CSLL pagos por essas companhias.

O chefe do Centro de Estudos Tributários da Receita acrescentou que o incremento na arrecadação entre as empresas exportadoras de commodities veio, sobretudo, do setor de mineração.

O Sul

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