segunda-feira, 18 de maio de 2020

Contrários e favoráveis a Bolsonaro voltam a se defrontar no Centro de Porto Alegre

Trajando preto, grupo que protesta pela saída do presidente aumentou de número neste domingo

Policiais tiveram que agir algumas vezes para evitar confrontos

Policiais tiveram que agir algumas vezes para evitar confrontos | Foto: Mauro Schaefer

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Grupos contrários e favoráveis ao presidente Jair Bolsonaro voltaram a trocar farpas em frente à sede do Comando Militar do Sul (CMS), no Centro Histórico de Porto Alegre, neste domingo. Como já virou rotina nos fins de semana na Capital, ativistas transformaram a via em palco para insultos e ameaças sob olhar de policiais da Brigada Militar e integrantes do Exército. Separados por barreiras de policiais e por faixas que delimitavam até onde podiam permanecer com bandeiras e faixas, os manifestantes permaneceram por mais de uma hora e meia trocando ofensas.
De um lado, defensores de intervenção militar no Supremo Tribunal federal (STF) e no Congresso Nacional; de outro, defensores da democracia e a favor da saída de Bolsonaro. Quem passeava pela região e não participava do protesto demonstrava medo em transitar entre os manifestantes. Durante o ato, duas mulheres com camisetas e bandeiras do Brasil passaram entre os ativistas contra Bolsonaro em tom de provocação. Por pouco não houve confusão generalizada. Integrantes do Exército precisaram intervir para impedir troca de agressões.
Em maior número do que em semanas anteriores, o grupo que protestava contra o presidente - formado na maioria por jovens que vestiam preto - levava uma faixa com a mensagem "Fora Bolsonaro, somos resistência". Um dos organizadores do ato, um estudante de 26 anos, que prefere não se identificar com receio de represálias, explica que o boca a boca entre conhecidos resultou em maior mobilização neste domingo. "Viemos aqui defender a democracia, a ordem constitucional. É um crime o que eles vêm fazer aqui, em qualquer país sério isso não seria permitido", critica.
O jovem afirma que o ato serve para protestar contra o governo federal e a ausência de medidas efetivas no combate ao novo coronavírus. "Somos contra Bolsonaro, ele tem que cair para salvar vidas, é um fiasco o que ele está fazendo durante a pandemia. Um dos coordenadores do ato pró-Bolsonaro, Edson Cavalcante acusa o grupo adversário de contar com integrantes de black blocs. Em meio a faixas com pedidos de intervenção no STF e 'restauração da harmoniza e independência entre Poderes', Cavalcante garante que o grupo pede apoio do Exército ao presidente Bolsonaro por meio de uma espécie de AI-5, que marcou o período mais duro da ditadura militar no Brasil e concedeu ao presidente poderes quase ilimitados. "O que a grande maioria está pedindo é uma espécie de AI-5 com Bolsonaro", declara.

Outro participante do ato pró-Bolsonaro, Rodolfo Moreno explica que o ato pede uma 'limpeza' no Congresso e intervenção militar com o presidente à frente. "Não queremos que Bolsonaro saia. Os Poderes estão inviabilizando a governabilidade do nosso presidente", justifica. Na avaliação de Moreno, Congresso Nacional e STF estariam atuando em conjunto com governadores e prefeitos para 'quebrar a nossa economia'. "Isso que a gente está vendo, eles estão se aproveitando politicamente do vírus para quebrar a economia", afirma.



Correio do Povo

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