segunda-feira, 23 de março de 2020

Economia será destruída se comércio fechar por mais de 30 dias, avalia presidente do Sindilojas

Decreto do prefeito Nelson Marchezan Jr. determinou fechamento como medida de prevenção ao novo coronavírus

Comércio não essencial está fechado na capital
Comércio não essencial está fechado na capital 
Para o presidente do Sindicato dos Lojistas de Porto Alegre (Sindilojas), Paulo Kruse, a economia do país será destruída caso o comércio se mantenha fechado por mais de 30 dias. A declaração foi dada durante entrevista ao programa "Bom Dia", da Rádio Guaíba, na manhã desta segunda-feira. Um decreto do prefeito Nelson Marchezan Jr. determinou o fechamento do comércio na Capital como medida de prevenção ao novo coronavírus. Além disso, a prefeitura vai interditar estabelecimentos que forem flagrados de portas abertas e não façam parte das exceções do texto.
“Se passarmos por um período superior há 30 dias, o que não acredito, isso vai destruir a economia. Hoje peço para ficar em casa, tenho 69 anos, passei por muita coisa. Não há solução sem bom senso e solidariedade. Eu tive que cancelar meus fornecedores, que cancelaram os seus, formando uma cadeia em que todos vão perder. Não é possível parar por mais de 30 dias, acho que os governadores vão entender. O Brasil é diferente dos outros, não devemos ter o cenário que outros países tiveram, como a Itália”, explica Kruse.
Conforme o presidente da entidade, o comércio da Capital gaúcha conta com 100 mil pessoas. Algumas empresas possuem capital de giro e dinheiro para pagar salários, outras não. Kruse destaca as linhas de crédito dos bancos no momento, mas reforça que sua convicçã: "em 30 dias, voltamos”.
Kruse salientou que o governo federal vai arcar com os salários dos empregados que ganham até R$ 1.813. Os demais poderão ter os vencimentos reduzidos e o empregador precisa oferecer cursos de aperfeiçoamento online.
“A medida provisória autoriza a suspensão do contrato de trabalho por quatro meses. A empresa precisa oferecer cursos online e manter o plano de saúde. Isso fica acima de acordos coletivos da lei trabalhista. Importante frisar que a negociação será necessária. Todos que têm empregados e quem trabalha em empresa precisam conversar. Não há necessidade de pânico. A conversa vai fazer com que as pessoas recebam parte do seu salário, uma ajuda compensatória mensal”, ressalta.
O presidente do Sindilojas destaca ainda as flexibilizações de contrato dos lojistas com shopping centers e de aluguéis como forma de lidar com o cenário atípico. Kruse ressalta que, quando a normalidade for retomada, as pessoas devem ter paciência, pois o cenário será muito diferente. No entanto, ”as empresas devem manter os empregos a qualquer custo”.

Rádio Guaíba e Correio do Povo



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