quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

Trump anuncia que vai aplicar novas sanções econômicas ao Irã

Presidente norte-americano disse que EUA "estão prontos para fazer a paz com todos que a procuram"

Trump aplicará novas sanções econômicas ao Irã

Trump aplicará novas sanções econômicas ao Irã | Foto: Saul Loeb / AFP / CP

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Em pronunciamento sobre os ataques do Irã a bases militares que abrigam soldados americanos no Iraque, o presidente norte-americano Donald Trump diminuiu o tom belicoso. Sobre a ofensiva da noite anterior, afirmou que não houve feridos na ação, que teve estragos mínimos nas instalações. “"O Irã parece estar desistindo, o que é uma coisa boa para todas as partes envolvidas e uma coisa muito boa para o mundo", avaliou. Suas últimas palavras foram uma mensagem direta ao regime e povo iraniano: "queremos que você tenha um futuro, um grande futuro que você merecem. Um de prosperidade em casa e de harmonia com as nações do mundo. Os Estados Unidos estão prontos para fazer a paz com todos que a procuram”, garantiu.

Contudo, Trump anunciou que os EUA “vão impor imediatamente sanções econômicas punitivas adicionais ao regime iraniano" como forma de resposta ao ataque de ontem à noite. "Essas poderosas sanções permanecerão até que o Irã mude seu comportamento. Somente nos últimos meses, o Irã apreendeu navios em águas internacionais, disparou um ataque não provocado à Arábia Saudita e abateu dois drones americanos", completou.

Segundo o republicano, não houve mortos na ofensiva orquestrada por Teerã e o sistema de monitoramento funcionou. “Não sofremos baixas. Todos os nossos soldados estão seguros e apenas danos mínimos foram sofridos em nossas bases militares".

Críticas ao Acordo Nuclear

Apesar de baixar o tom de ameaças, o discurso do presidente também conteve críticas aos democratas e ao acordo nuclear. Ele declarou que os mísseis enviados pelo Irã foram “pagos com o dinheiro disponibilizado pela administração anterior” ao assinar o “tolo” acordo nuclear. “Ao invés de dizerem obrigado (pela quantia), eles cantam morte à América”, ironizou, afirmando que “enquanto for presidente, o Irã nunca terá permissão para ter uma arma nuclear”.

"Este acordo muito defeituoso expira em breve, de qualquer maneira, e dá ao Irã um caminho claro e rápido para o rompimento nuclear. O Irã deve abandonar suas ambições nucleares e encerrar seu apoio ao terrorismo", discursou, afirmando que as ações do regime em Teerã desestabilizam a região. Ele também convocou outros aliados, como França, Alemanha e Reino Unido, a "romper" o acordo e buscar novas tratativas. "Todos devemos trabalhar juntos para fazer um acordo com o Irã que torne o mundo um lugar mais seguro e mais pacífico".

OTAN no Oriente Médio

Em meio a seu discurso, houve também espaço para exaltar seu governo. Trump afirmou que, sob sua gestão, a economia do país está mais forte do que nunca e que ele tem alcançado coisas que “que ninguém pensou que era possível”. "Agora somos o principal produtor de petróleo e gás natural em qualquer lugar do mundo. Somos independentes e não precisamos de petróleo no Oriente Médio", afirmou ao ressaltar que vai determinar que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) seja "mais envolvida" na região.

O presidente dos EUA também alertou o Irã em um dos poucos momentos em que adotou seu característico tom nacionalista. "Nossos mísseis são grandes, poderosos e precisos ... e letais". Contudo, disse que, apesar do potencial do seu Exército, os “EUA não precisam e não querem usá-lo”. “A força da América, tanto militar quanto econômica, é a melhor dissuasão".

“Principal terrorista do mundo”

Trump descreveu o comandante militar iraniano QaSsem Soleimani, morto em um ataque americano na semana passada, como "o principal terrorista do mundo". "Ele treinou exércitos terroristas, incluindo o Hezbollah, lançando ataques terroristas contra alvos civis. Ele alimentou guerras civis sangrentas por toda a região. Feriu e matou cruelmente milhares de tropas americanas, incluindo instalação de bombas em estradas que mutilam e desmembram suas vítimas".

O presidente disse que Soleimani dirigiu os recentes ataques a pessoal dos EUA no Iraque que "feriram gravemente quatro membros do serviço diplomático e mataram um americano" e ele orquestrou "o ataque violento" à embaixada norte-americana em Bagdá.


Correio do Povo

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