domingo, 10 de novembro de 2019

Água começa a baixar na região das ilhas, em Porto Alegre

Cheia do Guaíba levou água vias públicas, mas nenhuma pessoa precisou sair de casa

Por Cláudio Isaías

Cheia do Guaíba atinge ruas da região das ilhas

Cheia do Guaíba atinge ruas da região das ilhas | Foto: Ricardo Giusti

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Os moradores das ilhas do Arquipélago que permanecem com as ruas alagadas seguem preocupados com a elevação do Guaíba. Na Ilha Grande dos Marinheiros, da Pintada, do Pavão e das Flores todos estão na torcida para que a água baixe para que se possa começar a limpeza das residências. Na medição feita na manhã de sábado na Estação Cais Mauá no Canal Navegantes, o nível do Guaíba estava em 2,36 metros. Na noite de sexta, o Guaíba atingiu a marca de 2,40 metros. O coronel Evaldo Júnior, diretor-geral da Defesa Civil de Porto Alegre, informou que existe uma tendência de retorno do Guaíba ao seu nível normal nos próximos dias. O nível de perigo para inundações é de 2,50 metros.

Na manhã de sábado, na rua Nossa Senhora da Boa Viagem, na Ilha da Pintada, o jovem Eduardo Meyer, que trabalha em um supermercado da região, saiu de casa com água pelos joelhos. "Vamos esperar que a água baixe para começar a limpeza do pátio", ressaltou. Para conseguir sair da residência, a família de Meyer improvisou uma prancha de madeira que foi colocada no portão.

A moradora Sílvia Senna, residente há 40 anos na Ilha da Pintada, espera que não se repita a enchente de 2015 que assustou a comunidade com o alagamento das casas: "Aquele período foi um terror. Espero que não volte a acontecer tragédia que nem aquela", destacou ao dona de casa enquanto observava um grupo de moradores cruzando a rua Nossa Senhora da Boa Viagem de bicicleta ou a pé.

A Defesa Civil Municipal realiza vistoria nas ilhas, constatando que as águas invadiram a via pública, porém, sem registros de inundação em residências. “Com relação a orientações à população, a Defesa Civil está de prontidão realizando vistorias periódicas e à disposição pelo telefone de emergência 199", acrescentou o coronel Evaldo Júnior.

A Defesa Civil de Porto Alegre, por intermédio da Defesa Civil Estadual, obteve autorização da Secretaria Estadual de Educação para instalar abrigo, quando necessário, na Escola Estadual de Ensino Fundamental Alvarenga Peixoto, na Ilha Grande dos Marinheiros, disponibilizando o local para o acolhimento dos moradores do bairro Arquipélago que desejarem deixar as suas residências em decorrência das inundações. Até o momento nenhuma pessoa optou pela remoção para o abrigo. A Defesa Civil de Porto Alegre, a Fasc e o Corpo de Bombeiros Militar  do Rio Grande do Sul permanecem no bairro Arquipélago em permanente contato com a população, vistoriando residências e prestando assistência a comunidade local.

Bombeiros prestam socorro na região afetada pelas chuvas

A Defesa Civil de Porto Alegre informou que na noite de sexta-feira o Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande do Sul foi acionado para atender uma ocorrência na Ilha Grande dos Marinheiros. Na rua Nossa Senhora Aparecida, a dona de casa Sheila Silva acionou o socorro porque necessitava de remoção de um familiar que estava sem condições de locomover. Os bombeiros com botes foram até a casa número 2.400 que estava com água no pátio devido a cheia do Guaíba. Eles foram conduzidos até uma dependência da residência onde encontraram o Anderson Lopes da Silva, que relatou aos bombeiros dificuldade para respirar, dores abdominais e ânsia de vômito.

Segundo a família, ele apresentava o quadro há três dias. Em razão da dificuldade de acesso ao local, a remoção de Anderson Lopes teve que ser realizada com maca de ribanceira. Ele foi colocado dentro de um bote inflável, onde foi feito o transporte até a área seca da rua Nossa Senhora Aparecida, na Ilha Grande dos Marinheiros. Ele foi levado por uma ambulância do Samu até o posto de saúde para atendimento médico.

Eldorado do Sul

A Defesa Civil de Eldorado Sul, na Região Metropolitana de Porto Alegre, realizou na manhã de sábado uma vistoria no bairro Cidade Verde, um dos locais mais atingidos pelos alagamentos. Os voluntários da Defesa Civil e da prefeitura têm prestado apoio aos moradores. A boa notícia do sábado foi que a água começou a baixar nas ruas Z – uma das vias mais afetadas pela enchente onde vivem cerca de 50 famílias – 7 de setembro, 12 de outubro, São Lázaro e Dique.

O coordenador da Defesa Civil e secretário de Habitação, João Carlos Ferreira, informou que dez famílias que optaram pela saída de casa e foram abrigadas na casa de familiares: "Não temos ninguém desabrigado ou desalojado na cidade", acrescentou. Conforme Ferreira, as dez famílias deixaram as casas como forma de prevenção, porém, a água não entrou nas residências. A Defesa Civil de Eldorado Sul montou um plano de contingências para a transferência de moradores atingidos pelos alagamentos para escolas municipais e para o ginásio municipal da cidade. O bairro Cidade Verde é ocupado por 15 mil pessoas.

Moradora da rua Z na esquina com a avenida Lucas Espíndola, a doméstica Irene Siqueira, disse que todos na comunidade estão na torcida para que baixe a água baixe nos próximos dias. "Queremos começar a limpeza da casa. O nosso desejo é que não chova mais" ressaltou. O coordenador da Defesa Civil informou ainda que a prefeitura está discutindo com o governo federal, com o Ministério dos Transportes e com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) a construção de um dique em Eldorado do Sul que solucionaria o problema de alagamentos na região. A obra é avaliada em R$ 400 milhões, e deverá ser construída com recursos do governo federal.

Os alagamentos tomaram conta de Eldorado do Sul em função da cheia dos rios Caí, Sinos, Jacuí e Taquari. Segundo o secretário, uma medida paliativa que vem sendo discutida com o Dnit é a abertura de um canal por baixo da BR 290, com a construção de um pontilhão sobre a estrada, que permitiria a chegada até o Guaíba das águas das cheias que inundam uma área de preservação ambiental. "Hoje, esta água acaba parando dentro da área central da cidade, que faz divisa com a área de preservação", explicou.


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