sábado, 12 de outubro de 2019

Eis o texto do pensador Mateus Bandeira - UM PEQUENO MAS DECISIVO PASSO -:

A aprovação da Reforma da Previdência pela Câmara dos Deputados foi provavelmente o que de melhor aconteceu para o Brasil, em termos de administração pública, neste século 21. Como na conquista da Lua, o passo de Neil Armstrong foi custoso e penoso, mas abriu o caminho para o homem desbravar o universo.

No entanto, dada a natureza do buraco que o Brasil cavou, a reforma está longe de ser o lenitivo para nossos problemas estruturais. Buraco cavado por nós, brasileiros. Não pelo imperialismo norte-americano ou soviético das teorias conspiratórias arcaicas.

Reformar as aposentadorias foi uma construção coletiva e que demonstrou maturidade. Do presidente da República, do Congresso Nacional e da sociedade civil. Apesar de ter ficado aquém do desejável – pois não cobriu o imenso fosso que separa servidores públicos dos trabalhadores –, foi um avanço. Embora não represente dinheiro novo, trará substancial economia de recursos.

Os debates, que começaram com mais vigor no governo Temer, indicavam que o caminho rumo à solvência do erário não seria fácil.

Diferente da ingestão de remédios que trazem alívio imediato, mudar a Previdência não implica benefício instantâneo; mas abre o caminho à cura. O Brasil é um país à beira da ruína fiscal. Estados como o Rio
Grande do Sul são apenas um estágio avançado do que acontecerá com o Brasil se nada for feito.

O nível de desemprego nacional é alarmante: 28,5 milhões de subutilizados, no conceito do IBGE. Nossa ascendente dívida pública beira os 80% do PIB.

Nosso orçamento é disfuncional, pois não dá margem ao investimento – essência propulsora do crescimento econômico. Pior, ele é direcionado para atender as corporações de servidores e os setores escolhidos do empresariado.

Nosso sistema econômico inibe a livre concorrência e freia a inovação. Nosso regime tributário desestimula a livre iniciativa. Nossas despesas públicas crescem mais do que cresce a economia. Pior: os gastos aumentam para dentro, para autossustentar o Estado perdulário, não para investir em saúde, educação e segurança.

Nosso Estado, enfim, em vez de servir ao cidadão, serve-se dele. Numa inversão absoluta de valores, funciona como se o cidadão existisse para financiar a opulenta e inoperante engrenagem do Estado. Não somos um país pobre.

Somos um país injusto. É nesse contexto, aparentemente desanimador, que a aprovação da reforma surge como fator estimulante. Com as mudanças nas aposentadorias, teremos dado o indispensável primeiro passo. Agora, há de se pensar no dia seguinte. De imediato, mais do que a economia, ela mudará as expectativas. Expectativas positivas, no entanto, têm data de validade.


Pontocritico.com

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