terça-feira, 23 de abril de 2019

DAMARES CONVIDA PROCURADOR QUE CHAMOU ONU DE “IMORAL” PARA APURAR MORTES DA DITADURA | Clic Noticias

Ministério dos Direitos Humanos prepara uma série de mudanças na Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos (Cemdp), criada por lei em 1995
Juliana Dal Piva
A ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves. Foto: Gilmar Felix / Divulgação CâmaraA ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves. Foto: Gilmar Felix / Divulgação Câmara
Depois das modificações na Comissão de Anistia, o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, comandado por Damares Alves, prepara mudanças na Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos (Cemdp) criada por lei em 1995 para reconhecimento e identificação das cerca de 464 vítimas fatais da ditadura militar. A primeira alteração direta veio por meio do Decreto 9.759 do presidente Jair Bolsonaro. Ao extinguir conselhos e equipes da administração pública federal direta, o decreto acabou com a equipe de 30 pessoas que fazia a identificação de ossadas e restos mortais da Cemdp em todo o país. Esses profissionais atuavam em diversas pesquisas incluindo os casos da vala de Perus e das ossadas do Araguaia — ambos trabalhos decorrentes de ações judiciais que a União responde na Justiça Federal brasileira.
Ailton Benedito, procurador da República de Goiás, confirmou a ÉPOCA o convite e disse ter aceitado o convite. Foto: Reprodução / Procuradoria da República/GOAilton Benedito, procurador da República de Goiás, confirmou a ÉPOCA o convite e disse ter aceitado o convite. Foto: Reprodução / Procuradoria da República/GO
Além disso, o ministério já está preparando uma reformulação nos integrantes da equipe e o primeiro nome convidado foi o procurador da República de Goiás Ailton Benedito. Procurado, ele confirmou a ÉPOCA o convite e disse ter aceitado o convite. “Aguardo a designação da Procuradoria Geral da República”, disse ele, que precisa ser autorizado pela chefia do Ministério Público Federal (MPF) para integrar o grupo.
Ailton Benedito é conhecido por posições polêmicas. Em 30 de março, ao compartilhar uma reportagem sobre as declarações do relator da ONU Fabián Salvioli de que era “imoral e inadmissível” a comemoração do golpe militar de 1964, o procurador escreveu em seu perfil no Facebook: “A ONU é imoral”. Em 14 de março, ele também postou: “Esquerdistas são bactérias cadavéricas da política. Precisam de ração diária de cadáveres de pessoas inocentes, para alimentar sua ideologia criminosa. No Brasil, eles devoram 164 cadáveres de brasileiros assassinados diariamente, 60 mil por ano, 500 mil na última década.” Questionado se dará sequência aos trabalhos da comissão disse que “quando sair a designação, poderei falar a respeito.”
Época

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