domingo, 17 de março de 2019

Tratores sustentáveis trazem mais potência e menor consumo | Clic Noticias

Máquinas expostas na Expodireto deste ano já estavam adaptadas às exigências do Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores
Por
Halder Ramos
Veículos certificados podem reduzir de 65% a 85% da emissão de poluente
Veículos certificados podem reduzir de 65% a 85% da emissão de poluente | Foto: Guilherme Almeida
Reduzir a emissão de gases poluentes e, com novas tecnologias, ainda melhorar o consumo e o desempenho das máquinas agrícolas. Esta é a meta do Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve), que entrou em sua última fase de implantação, voltada para as Máquinas Agrícolas e Rodoviárias (MAR-1), em janeiro deste ano.
Apesar de se constituírem em exigência da legislação, os benefícios vão além da questão ambiental. O Proconve MAR-1 não chega a ser uma novidade. Começou a vigorar em janeiro 2017. No entanto, atingia só modelos com potência igual ou superior aos 101 cavalos (cv). O prazo para as indústrias atenderem às exigências se encerrou e, desde janeiro de 2019, todos os modelos devem sair de fábrica com a certificação, incluindo os equipamentos com potência inferior a 100 cavalos.
“Os modelos que estão em estoque, produzidos até 2018, podem ser comercializados. No entanto, desde janeiro, as novas especificações são obrigatórias para todos os tratores agrícolas, que não podem sair da fábrica sem a certificação”, explica o gerente de produtos da Mahindra, Rafael Odorissi.
Para Odorissi, o Brasil está atrasado na política para redução da emissão de gases poluentes. “É uma norma que existe nos Estados Unidos e na Europa desde 2006. No Brasil, começou em 2017 com os motores maiores, que são os que poluem mais”, relembra.
Com as melhorias no sistema de combustão, o gestor de produtos observa que os motores da Mahindra, que têm foco em tratores para agricultura familiar, ficaram mais tecnológicos. “Eles trazem mais potência e menor consumo”, afirma. Conforme Odorissi, a reciclagem de gases de escape reduz a emissão de material particulado em 85% e dos óxidos de nitrogênio (NOx) em 75%.
O gerente de produtos da LS Tractor, Astor Kilpp, concorda que o Brasil demorou para aderir ao programa. “Não apenas as indústrias agrícolas, mas todos os setores devem criar consciência ambiental. É uma legislação que só vem a beneficiar o Meio Ambiente. Temos que entregar um planeta melhor aos nossos netos no futuro”, ressalta.
Kilpp frisa que os tratores com menos de 65 cavalos produzidos pela LS Tractor saíram da Coreia do Sul atendendo às exigências do programa em 2013. “O Brasil agora consolida o MAR-1 em todas as faixas de potência. Em 2019, as máquinas de 80 e 100 cv passaram a receber a tecnologia. Existem países que ainda não aderiram, mas a Europa está avançando para a fase 5 de sua legislação”.
O engenheiro agrícola da Landini Brasil, Romeu Vidali Neto, explica que são utilizadas duas maneiras para reduzir a emissão de gases poluentes: dentro e fora do motor. Na recirculação de gás de escapamento (EGR), a redução ocorre no interior do motor por meio de reinjeção de parte do gás de escapamento.
Já na redução catalítica seletiva (SCR), um reagente líquido é pulverizado no gás de escapamento, ocorrendo uma reação química no catalisador que neutraliza a geração de óxido de nitrogênio. “Essa redução na emissão é feita pela requeima de gases do motor”, completa.
Os modelos de até 100 cv da Landini estão adequados às regras desde que a multinacional chegou ao Brasil, há cinco anos. “Adotamos a tecnologia desde que iniciamos nossas operações no país. Como empresa de origem italiana, já obedecíamos ao padrão europeu, que limitava a emissão de poluentes”, destaca o diretor geral da multinacional, Ricardo Vianna.
O supervisor de produtos da Valtra, Winston Quintas, observa que a norma brasileira saiu do zero para a equivalente ao Tier-3. “Não existia controle para regular a emissão no país. O MAR-1 equivale ao Tier-3. No entanto, a Europa já está dois níveis acima. Estão evoluindo para a fase 5 do programa”, compara.
Quintas observa que a Valtra optou pela queima interna de gases no motor. “Estamos preparados para atender exigências mais restritivas que podem vir a surgir. Os motores fazem a queima mais perfeita. Temos a certeza de que estão aptos a qualquer teste”, assegura.
Segundo o supervisor, existem marcas que usam sistemas mais simples e terão que fazer mudanças maiores com a chegada de novas legislações. “O nível de emissão chegará num ponto em que o trator vai atuar como filtro. O ar sairá mais limpo do que chegou ao motor”, prevê.
Sobre o MAR-1
A legislação MAR-1 define limites de emissões dos poluentes monóxido de carbono (CO), hidrocarbonetos (HC), óxidos de nitrogênio (NOx) e material particulado (MP). Se comparada com motores não certificados ou não regulamentados, a redução da poluição de material particulado da fase MAR-1 pode chegar a 85% e de NOx a até 75%.
Correio do Povo

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