domingo, 4 de novembro de 2018

Vídeos virais agitam campanha eleitoral nos EUA

Publicações em redes sociais impulsionam candidaturas nas eleições do país

Eleições nos EUA estão marcadas para o próximo dia 6 | Foto: Mario Tama / Getty Images North America / AFP / CP

Eleições nos EUA estão marcadas para o próximo dia 6 | Foto: Mario Tama / Getty Images North America / AFP / CP

Candidatos republicanos e democratas devem gastar 4,5 bilhões de dólares para seus spots de campanha até as eleições do próximo dia 6 nos Estados Unidos, mas apenas alguns milhares de dólares podem ter um impacto ainda maior. Quando a jovem nova-iorquina, novata na política, Alexandria Ocasio-Cortez recebeu a proposta de dois diretores que compartilhavam suas ideias de esquerda de produzir seu vídeo de campanha por menos de 10 mil dólares, ela não hesitou.

A ocasião era boa demais para sua equipe, cujos meios são limitados. Deste encontro nasceu um vídeo que mostra a ex-educadora e servente, de 28 anos, encontrando eleitores entre o Bronx e o Queens. "Nesta eleição, é o povo contra o dinheiro", declara a jovem de origem hispânica que se apresenta contra um veterano do partido nas primárias democratas. Na mira: um dos 435 assentos da Câmara de Representantes.

Na ocasião, os americanos vão renovar um terço do Senado além de vários representantes locais. Humano, provocador, autêntico, seu spot logo se tornou viral, contabilizando 5,1 milhões de visualizações na internet. Quatro semanas depois, Alexandria Ocasio-Cortez surpreendia o establishment vencendo as primárias.

Podemos derrubá-los

Como ela, vários candidatos que se lançam na política pela primeira vez - a maioria democratas que tentam assumir a Câmara, controlada pelos republicanos de Donald Trump - tentam se reportar diretamente aos eleitores. A internet é uma benção para os recém-chegados, diz Nick Hayes, co-fundador de 21 anos da empresa "Means of Production", por trás do vídeo de Alexandria Ocasio-Cortez.

"As redes sociais e campanhas digitais abriram a possibilidade para que os candidatos que não têm quatro milhões pagos por uma grande empresa sejam ouvidos, e de se comunicar com os eleitores de uma maneira antes impossível", explica. "Tendo uma forte presença nas redes sociais, enviando uma mensagem eficaz, mantendo o foco e falando sobre políticas que afetam os trabalhadores, podemos derrubar essas pessoas", diz ele sobre as grandes figuras do establishment.

Para as eleições de novembro, cerca de 800 milhões de dólares devem ser destinados à publicidade online, contra 3,7 bilhões para publicidade na televisão, segundo o grupo Kantar Media. "As redes sociais mudaram profundamente a forma como as equipes de campanha se comunicam com os eleitores", ressalta Neil Oxman, um consultor político que trabalhou nos spots de centenas de candidatos desde os anos 1980. "Agora podemos vê-los gratuitamente no nosso telefone".

Fontes de doações

Será que esse efeito poderia ajudar a ex-piloto da Força Aérea americana MJ Hegar a derrotar o republicano no cargo há dezesseis anos em seu conservador Texas? Ela já é protagonista "do melhor anúncio político que já vimos", segundo o compositor e estrela da Broadway Lin-Manuel Miranda. Em três minutos e meio, ela conta como escapou viva de um ataque contra seu helicóptero no Afeganistão. "Eu me pendurei no esqui de pouso, respondi atirando nos talibãs enquanto voltávamos para zona segura", relata enquanto a vemos almoçar tranquilamente com a família com, pendurada na parede da casa... a porta do famoso helicóptero.

Com uma música dos Rolling Stones ao fundo, ela também fala sobre as portas que precisou derrubar para avançar no Exército. Mas também a de vidro, contra a qual seu pai havia projetado sua mãe quando ela era criança. Sorriso radiante e braços tatuados, MJ Hegar era desconhecida quando lançou sua campanha.

Quando seu vídeo se tornou um fenômeno - com quase três milhões de visualizações - doações começaram a chegar aos cofres de sua campanha e a corrida se tornou mais forte. Os democratas não são os únicos a experimentar o formato mais longo que a internet permite.

Já eleita à Câmara, "politicamente incorreta e orgulhosa de ser", a conservadora Marsha Blackburn se apresenta no Tennessee para uma das cadeiras do Senado. Em um longo vídeo, ela critica o Planning Familial americano com uma referência controversa à "venda de bebês". Um comentário muito "incendiário", segundo o Twitter, que a proibiu por um certo tempo de promover seus vídeos se não o retirasse. Marsha Blackburn recusou e depois transformou a polêmica em argumento para levantar fundos de campanha.


AFP e Correio do Povo


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