segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Informalidade bate recorde no país e já atinge 43% dos trabalhadores

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por Anaïs Fernandes e Larissa Quintino

Entre os formais, vaga de menor qualificação leva salário de admissão a mínima em dez meses

A cada 10 brasileiros que estavam trabalhando no terceiro trimestre deste ano, cerca de 4 atuavam na informalidade, apontam os dados da mais recente Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua, do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Entre junho e setembro, o país registrou 92,6 milhões de pessoas ocupadas.

Dessas, quase 43%, ou 39,7 milhões de pessoas, não tinham carteira assinada, somando empregados do setor privado e público sem registro, trabalhadores por conta própria sem CNPJ, trabalhadores doméstico sem carteira e quem trabalha em família.

Esse é o maior percentual trimestral registrado pela Pnad desde que o levantamento começou a separar os conta própria com e sem CNPJ, no fim de 2015.

No terceiro trimestre deste ano, a taxa de desemprego no país ficou em 11,9%, 0,5 ponto percentual abaixo da registrada no mesmo período do ano passado.

O alívio veio com o avanço de 1,5% na população ocupada, resultado da entrada de 1,3 milhão de pessoas no mercado de trabalho —especialmente na informalidade.

Thiago Xavier, analista da consultoria Tendências, observa que, desse contingente, 601 mil trabalhavam no setor privado sem carteira assinada e outros 585 mil atuavam por conta própria —sendo 236 mil sem registro.

"A rota de entrada é a informalidade porque, na comparação anual, o trabalho com carteira [no setor privado] ainda registrou perda de 328 mil pessoas", afirma.

Desempregada há sete meses, Cássia Lins Barbosa Vila Real, 31, tem se virado com trabalhos por conta própria de maquiadora para pagar as contas. Ela afirma que o seu rendimento caiu 30% desde que foi demitida, em abril.

Ela tem conseguido conciliar os trabalhos eventuais com a educação do filho, de uma ano e três meses, mas procura uma oportunidade de voltar para o mercado formal.

"Se eu achar algo por meio período, melhor ainda. Só trabalhando por conta própria a renda é muito baixa", diz.

Essa não foi a primeira vez que Cássia teve que se reinventar.

Antes de entrar no mercado de beleza, ela trabalhou oito anos na gigante IBM, na parte de atendimento e também com vendas.

Em 2014, a empresa fez cortes e, até ela se recolocar, dessa vez na nova profissão, foram dois anos sem trabalho.

Segundo a maquiadora, além da falta de carteira assinada, os custos do trabalho por conta própria são o que mais dificulta a renda.

"Bancar produtos e transporte e não ter o trabalho valorizado, com o pessoal sempre querendo pagar menos, desmotiva, mas vou nessa até conseguir algo formal", afirma ela, que cobra R$ 150 por cada maquiagem feita.

Não é só a renda do informal que não avança. O rendimento médio real habitualmente recebido pelos ocupados (R$ 2.222) e a massa salarial (R$ 200,7 bilhões) —soma dos os rendimentos brutos recebidos em todos os trabalhados pelos ocupados— mantiveram-se estáveis no terceiro trimestre, afirma Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE.

"Isso demonstra que as vagas que foram criadas são de baixo impacto salarial", diz.

O fenômeno monetário também pode ser observado no Caged (Cadastro de Empregados e Desempregados do Ministério do Trabalho), que capta os números do mercado formal brasileiro.

Em setembro, o saldo de vagas foi o melhor para o mês em cinco anos, com 137.336 postos positivos entre admitidos e desligados.

Apesar disso, a média de salário para os trabalhadores admitidos foi a menor dos últimos dez meses: R$ 1.516,89.

Segundo Clemente Granz Lucio, diretor técnico do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), há várias possíveis causas para o fenômeno: o acumulado da inflação, a alta rotatividade do mercado, o perfil das vagas que estão contratando --que são mais operacionais no setor de serviços-- e a precarização da mão de obra, com alto número de informais.

"O repique da inflação influencia nos salários de admissão. E as funções que mais contratam, que são do setor de serviços, oferecem até 1,5 salário mínimo [R$ 1.431]. Tudo isso ajuda a puxar o salário médio para baixo."

O setor de serviços, mencionado por Lucio, foi responsável por 44,3% das contratações em setembro, fechando com um saldo de 60.961 no período, segundo o Caged.

Maria Andréia Lameiras, técnica de planejamento e pesquisa do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), diz que a queda no salário médio de entrada não é necessariamente ruim.

"Um salário alto não significa que o mercado está bombando. Às vezes, ele está muito alto porque tem só um setor que paga mais contratando", afirma.

Segundo ela, o dado do Caged é positivo porque demonstra que o mercado está trazendo de volta uma população com qualificação mais baixa, que já estava havia muito tempo desempregada.

Os especialistas afirmam que um caminho possível seria que, após retornar ao mercado pela informalidade, o trabalhador migrasse para um emprego com carteira.

Foi o caso do motorista Nivaldo Constantino, 46, que voltou à formalidade após um período sem carteira.

Ele perdeu o emprego como motorista de uma empresa em junho deste ano e passou a utilizar sua moto para fazer entregas.

No mês passado, a mesma empresa que o demitiu ofereceu um novo emprego, dessa vez como motorista de motocicleta.

"A necessidade me abriu uma nova área de trabalho, e a partir disso pude voltar. Estou feliz, com carteira assinada e recebendo praticamente a mesma coisa que antes", diz Nivaldo.

Há ainda quem tenha feito do trabalho por conta própria uma nova profissão.

O mestre de obras autônomo Marcelo de Almeida, 41, foi exonerado da Polícia Militar de São Paulo há cinco anos e viu na necessidade a oportunidade para iniciar uma nova carreira.

Ele afirma que desde os 13 anos trabalhava com construção. Deixou as obras para entrar na polícia e, depois de 16 anos, precisou voltar.

"Comecei a pegar algumas obras e estou nessa há cinco anos. Não penso em trabalhar com outra coisa."

Apesar de ter tanto tempo trabalhando como autônomo, Almeida não pretende abrir uma empresa por causa dos altos custos e da burocracia.

"Tenho um contador, pago direitinho o pessoal que trabalha pra mim, mas não tenho como ter uma empresa e assinar carteira. A condição que tenho hoje está boa", diz.


Fonte: Folha Online - 03/11/2018 e SOS Consumidor


MECANISMO ECONÔMICO

XVIII- 16/18 - 05.11.2018

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OFERTA

Das múltiplas rodas que fazem o MECANISMO ECONÔMICO de qualquer país funcionar, aquela que têm o PODER de impulsionar as demais é a OFERTA. E o combustível, sem o qual as rodas simplesmente não se movimentam é o INVESTIMENTO.

DESCONHECIMENTO

Como, até agora, todos os nossos governantes, assim como grande parte da mídia, sempre fizeram questão de mostrar um franco sentimento de  ÓDIO pelo CAPITALISMO, isto fez com que muita gente imaginasse que o bom desempenho das atividades econômicas do nosso empobrecido Brasil dependeram apenas do CONSUMO.


LIBERALISMO ECONÔMICO

Pois, tão logo as urnas eleitorais revelaram a vitória de Jair Bolsonaro, os investidores, tanto daqui quanto do mundo todo, graças ao que propõe o  fantástico PLANO ECONÔMICO-LIBERAL- que será operado por Paulo Guedes, trataram de anunciar pesados INVESTIMENTOS que estão dispostos a fazer no Brasil.


TAXA DE INVESTIMENTO

Sabe-se, perfeitamente, que a grande intenção dos governos comunistas/petistas Lula/Dilma sempre foi a destruição total da economia brasileira. E a prova disto está na TAXA DE INVESTIMENTO, que está em torno de ridículos 15% do PIB.

VOO DE GALINHA

Ora, mais do que sabido, não há a menor possibilidade de o Brasil crescer, de forma realmente sustentada, se a TAXA DE INVESTIMENTO for inferior a 25% do PIB. Abaixo deste patamar, queiram ou não, a economia do nosso empobrecido País continuará experimentando o lamentável VOO DE GALINHA. Ou seja, jamais conseguirá experimentar o VOO DA ÁGUIA.

ENXURRADA DE INVESTIMENTOS

Tomando por base os anúncios que foram divulgados nesta última semana, a enxurrada de INVESTIMENTOS no Brasil não será pouca coisa. Isto, diga-se de passagem, tem apenas uma única razão:  LIBERDADE. Quanto mais LIBERDADE, maior o interesse para fazer INVESTIMENTOS.


MARKET PLACE

FOCUS- Na pesquisa Focus divulgada hoje, a projeção para o IPCA ao final de 2018 recuou de 4,43% na semana anterior para 4,40%, enquanto a projeção para o final de 2019 permaneceu estável em 4,22%. Para 2020, a estimativa do IPCA seguiu em 4,00%, mas para 2021 subiu de 3,95% para 3,97%. A estimativa para a taxa de câmbio ao final de 2018 apresentou queda para R$ 3,70/US$ (de R$ 3,71/US$) e permaneceu em R$ 3,80/US$ ao final de 2019. A projeção para a taxa de crescimento do PIB em 2018 continuou em 1,36%, enquanto a estimativa para o ano que vem permaneceu em 2,50%. A projeção para a taxa Selic, por sua vez, continuou em 6,50% ao final de 2018, bem como permaneceu inalterada em 8,00% ao final de 2019.
DINHEIRO SUJO - Eis aí a excelente artigo do jornalista J.R. Guzzo, publicado na Veja deste final de semana, com o título DINHEIRO SUJO:

A certa altura em uma entrevista já como o próximo presidente do Brasil, no último domingo, Jair Bolsonaro disse que seu governo, entre diversas outras coisas, vai “diminuir” as verbas que o Erário paga hoje a uma certa rede de televisão e a um certo jornal diário para publicarem anúncios de propaganda oficial. Há pelo menos um erro sério nessa promessa: o verbo “diminuir”. A única palavra correta no caso, já que ele tocou no assunto das relações entre imprensa e governo, é “acabar”. Para os dois, a televisão e o jornal? Sim, para os dois — e para todos os outros veículos de comunicação do Brasil, sem nenhuma exceção. Por que contentar-se em roubar menos da população que paga por tudo isso, se há a oportunidade de não roubar nada? É a coisa mais fácil do mundo. Não existe nenhuma lei que obrigue o governo a jogar dinheiro fora com a imprensa. Não é preciso pedir licença ao STF ou ao Congresso, por mais que ambos acabem passando mal com isso. Também não há que pedir autorização da ONU, como o PT poderia exigir. Basta decidir que a partir de 1º de janeiro de 2019 o Tesouro Nacional não pagará mais nem um tostão para publicar anúncios na mídia deste país.

O fato é que não poderia haver momento melhor para começar a limpeza dessa usina de lixo que se chama “área de comunicação social do governo”. A maioria dos jornalistas brasileiros, com a concordância de seus empregadores, está combatendo há meses numa guerra sem quartel contra os perigos de ditadura que, segundo eles, apareceram no Brasil com o novo presidente. Então: propaganda para as massas, elites e tudo o que vem no meio das duas é uma das armas mais perversas das tiranias em todo o mundo e em todas as épocas. Que tal ficarmos livres dessa — pelo menos dessa? Bolsonaro, ao acabar com tamanha lavagem cerebral, estaria fazendo um gesto de paz para acalmar um pouco os comunicadores. “Estão vendo?”, poderia perguntar. “Vou abrir mão dos bilhões que tenho para comprar a aprovação da opinião pública.” Os jornalistas e seus patrões, por seu lado, não poderiam reclamar por estar perdendo essa dinheirama — fica ruim, de fato, falar mal da ditadura porque o ditador parou de lhes pagar. Além do mais, por que não reclamam de nada hoje? Já recebem dinheiro sujo. Não ficará limpo com o fascismo que anunciam.

O fato, para não ficar enganando o leitor com complexidades que não existem, é que, de todos os 1?001 pés-de-cabra à disposição do governo para roubar dinheiro do contribuinte, a propaganda oficial é um dos mais hipócritas. Não tem nada de pública — ao contrário, é puro negócio privado, bom só para quem manda no governo, os donos e empregados dos órgãos de imprensa e todos os intermediários que se movem entre uns e outros. Não tem a menor utilidade para o cidadão. Também não há ninguém pedindo “comunicação”. Você já viu alguma multidão sair à rua exigindo “publicidade já”? Não existe em democracia alguma do planeta; ninguém jamais ouviu falar em “Inglaterra para Todos”, ou “Acelera, Holanda”. Em compensação, é oxigênio puro para ditaduras e governos de países subdesenvolvidos pelo mundo afora. Fala-se, é claro, na necessidade de publicar editais, leis, nomeações e outros atos do governo. Parem de fingir. Tudo isso pode ser escrito no Diário Oficial, que já é do poder público e tem de ser divulgado de qualquer jeito. Quem estiver interessado que compre — ou que se paguem os trocados que a mídia privada cobra por esse tipo de anúncio. Mas não é disso que estamos falando, não é mesmo? O que interessa é o dinheiro grosso que os governos pagam para dizer como são bons para você. Bolsonaro fala em “critérios técnicos” para distribuir a publicidade em seu governo. Que piada. Não há aí nada de critério nem de “técnico” — é puro desvio de dinheiro público para bolso privado.

Esqueçam as “campanhas de vacinação” que a mídia divulga em seu noticiário normal, ou “a obrigação de prestar contas ao público”. Quem está interessado, ou acredita, nisso? E os “pequenos veículos”, ou grandes, que morreriam sem a propaganda oficial? Problema deles — que arrumem leitores e anúncios privados para ganhar sua vida. A verdade é uma só: o cidadão vai economizar bilhões com o fim da “comunicação social transparente”, sem contar o que deixará de ser gasto com os milhares de funcionários empregados nesse falso serviço. Um governo que tem cerca de 800?000 servidores na ativa tem também a obrigação de tirar dali os que são realmente necessários para o trabalho de comunicação que realmente deve ser feito. O resto é safadeza.

FRASE DO DIA

A verdade dói apenas uma vez. A mentira dói a cada vez que se lembra dela.

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